\\ANTENA: O lar que virou estúdio em 2020.

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Capa do álbum Virar, por Mário Wamser e Mari Blue — ouça nas plataformas digitais

Hoje mesmo, 25 de Dezembro de 2020, Mário Wamser lança seu terceiro álbum autoral, Virar (ao final do texto você lê na íntegra o release oficial).

Bem, como bem fala a arte que se apoia no coletivo, propus a Mário para que fizéssemos uma matéria sobre o financiamento coletivo que rolou para o lançamento deste álbum, mas, como a vida corre (dê pressa) optamos por uma versão mais intuitiva e múltipla do lançamento oficial.

Lá no dia 27 de novembro o multi-instrumentista me enviou um áudio propondo que me mandasse o álbum completo antes do lançamento para que eu pudesse escutar e fazer um texto sobre o trabalho completo. …


\\Antena convida Coletivo Magenta [Frentes Versos]

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Divulgação: Ilustração/Coletivo Magenta

Hoje a Antena convidou o Coletivo Magenta para bater um papo sobre a produção, construção de espaços de troca, acolhimento, atenção e afeto dentro do novo mercado artístico que vem surgindo e sendo discutido entre muitos produtores culturais.

Magenta nasce em 2018 de desconfortos partilhados entre Gabriela Costa, Larissa Souza e Rafaela Browne, Maria Silva Sousa e Georgia Ramos, trabalhadoras da cultura, educadoras, pesquisadoras e artistas que, na época trabalhavam todas na parte receptiva do mesmo museu.

Muitas das mulheres, tendo passado pela prática educativa do ambiente do museu enxergavam similaridades nas partilhas que aconteciam entre o expediente e o pós-expediente. …


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fotografia analógica, 2016 — acervo pessoal

As cenas que se desenrolam linearmente — ou não — acontecem numa fresta entre prédios. Uma longa e tardia memória de histórias que se cruzam e moram uma em cima da outra.

Das vidas paralelas, só conheço partes fragmentadas, emolduradas pelas janelas da sala, de frente para mim.

No penúltimo apartamento mora um casal.

Me lembro como se fosse hoje quando chegaram para visitar o apartamento.
Logo depois se mudaram para lá.
A rotina deles passou a fazer parte do meu programa pessoal.

A mulher parece ser a que mais trabalha, quem menos fica em casa, quem chega tarde toda terça, quarta e quinta. Nesses dias, por volta da meia-noite as luzes que antes acessas, passam a jorrar o colorido da TV, religiosamente por meia hora. …


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Depois de tanto barulho, há de vir o apaziguamento.

A rua debaixo estremece em puro ruído.

É um churrasco.

As crianças liberam sua raiva, trancafiada por tempo demais dentro das janelas. Os gritos são o esforço de lidar com o outro, subitamente desgostoso, depois de que houve dias em solidão; tendo as vontades atendias por aqueles que são obrigados a tolerar tais sujeitos. A família sem escolha sucumbe ao pedido calado por paz.

Não agora.

Agora, o pico atingiu seu limite aéreo e intransponível:
É preciso deixar que se libertem, dentre eles. …


\\ANTENA — texto escrito em 15 setembro 2020

O Pantanal está em chamas, incêndios vêm causando devastação, mortes assolam nosso bioma e alertam para problemas climáticos mais graves.

Como se já não soubéssemos que tudo isso iria acontecer.

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Foto: Amanda Perobelli / Reuters.

O Pantanal brasileiro é a maior área de planície alagada do mundo, mas desde junho vem queimando, pegando fogo, morrendo. Àqueles que veem o sol como principal perigo, certamente se esquecem do ser humano, do agronegócio e do governo extremista que ganha força ao redor do globo.

A quem já se esqueceu, Bolsonaro deixou claro que iria destruir o patrimônio natural do Brasil, e logo no começo de seu mandato começou com o plano assassino de extermínio da Amazônia. Vídeos que rodam a internet mostram o sadismo de pessoas que alastram o fogo propositalmente: garimpeiros montados em carros equipados com gasolina e álcool levam consigo a devastação do fogo às áreas não afetadas. …


\\ ALEXITIMIA — texto escrito em jun. 2020

Este é um texto escrito por duas mentes artistas.

Sim, artistas e criadoras de algum tipo de subversão. Artistas Visuais, artistas que amam e se apoiam nas palavras.

Por Lia Petrelli e Núria Vieria

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Ilustração interventiva concedida por Adriana Marto

Vocês se lembram de quando a Catedral de Notre-Dame pegou fogo?

Naquele abril de 2019, havia uma maioria de pessoas defendendo a reforma e retomada de atividades da igreja e uma minoria pedindo atenção para outras causas, variadas, que necessitavam investimento e apoios financeiros. …


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Fotografia por Giulia Borducchi

Gotas de sol arrebentam frestas.
Misto-sensação de enorme má feitoria estupefata.
Palavra lida é nada sem som.
Precioso ler em voz alta.
Como seres marinhos, se comunicam
ao som do silêncio

devolva-me o cheiro…………………………………..nostalgia começa por aí.

Aos poucos me engulo só. Tenho aqui saudade imensa. Não sei mais se existi.

Tão feroz.mente distante alcança sim pêlos pensamentos
discretas cores — sol que abraça — todo quê sente.
Cheguem mais perto; ao descabê-lo
preciso contar coisas do amor,
apalpar vento gritante.

Sei bem, escuta: pelo ar comunico
impossíveis murmúrios,
sóbrios sombrios muros
memória estraçalhada

São olhos que dizem coisas.
Aperto no peito, aos poucos, desfaz nós.
Viver rodeada de sentimentos abre dor feito facão, mata fechada.
De repente a autodestruição faz sentido —
em momentos, ver futuro é impossível
não somem fantasmagóricos estados de autossabote. …


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Livre intervenção digital sobre a capa do livro Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce

Pensando sobre a questão ser artista em quarentena, juntei meus cacos artísticos-analíticos para uma questão importante: a subjetividade do recolhimento. Irei brevemente traçar, nisso que chamei de ensaio, algumas das coisas que me têm apavorado dentro desse lugar-casa-cabeça que estamos, em maioria, enfrentando e começarei contando a jornada de James Joyce na minha vida.

O primeiro livro que li deste -que julgo brilhante- autor foi O Retrato do Artista Quando Jovem, no início dos meus 17 anos, quando decidi entrar na faculdade de artes. Não bem entendia, lógico, a função do artista no mundo quando este livro me foi recomendado, e mal sabia o efeito catártico que encontraria nas páginas que estava prestes a abrir. Eis que decidi pegar um ônibus em direção à praia e iniciei a leitura quando entrei na estrada, tão logo me deparei com a longa história de um personagem devoto. Me encaminhei para os destroços de uma igrejinha no centro da cidade que, na época, abrigava um convento. …


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Parque Lage, Rio de Janeiro — RJ

Mistura espanto, indignação e humor: curiosa geração.

Prefere registrar o corpo no espaço do que observar, viver, experimentar, participar… Será que isso conta?

Depois que tudo passar, ativarão a memória florida de fotos que enaltecem o “Eu visitei um lugar lindo!”

Acabam por viver a invenção.

Deve ser o único meio de sobrevivência da imaginação em tempos como esse nosso, onde o registro — que há muito perdeu significado — tem força maior do que o viver.

Me ocorrem diversos pensamentos e mergulho na quase conversão de hipocrisia infundada. É preciso, sim, partilhar tais perspectivas para que possam crescer, mesmo entendendo que a visão sobre o algo será sempre imensamente particular — daquelas que, se não forem mutáveis, morrem. …

About

Lia Petrelli

| artista transdisciplinar | fluxo de consciência: compreendida, palavra vira imagem | liapetrelli.com.br

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